O que se passa no interior dos moldes

Especialista em sistemas de medida, monitorização e controlo de pressão, volume e temperatura, a PRIAMUS (Suíça) fornece soluções que permitem otimizar a consistência e qualidade dos processos de injeção.

A monitorização ocorre dentro do molde, graças a sistemas de sensores e respetivos controladores, apresentados no XXXII Seminário de Plásticos por David Dreher, diretor de aplicações tecnológicas da PRIAMUS. Caracterizados pela fiabilidade, elevada rapidez de resposta e precisão, estes sistemas, com o seu software associado, permitem elevar a qualidade final e repetitividade dos processos. Mais do que simplesmente medir, estes sistemas monitorizam e permitem desencadear automaticamente as medidas corretivas necessárias para manter o processo dentro dos intervalos desejados.

David Dreher desenvolveu os princípios e métodos de cálculo dos sistemas PRIAMUS, que permitem medir e controlar parâmetros como a viscosidade, a shear rate, entre outros.O Sistema Automático de Controlo Sequencial perite otimizar os tempos de ciclo e assegura a monitorização da fluidez do material no processo. É também útil em processos de injeção com gás, no controlo de ventilação, e no controlo do equilíbrio dos canais quentes, na injeção de silicone líquida e em muitas outras aplicações caracterizadas pela elevada exigência técnica.

 

Ainda  redução de peso das peças auto

Gianni Avalle, da Interpolimeri WPP (Washington Penn Plastics, Audia Group) apresentou uma comunicação sobre novas perspectivas de redução de peso nas peças para a indústria automóvel. Sediada nos EUA, a empresa é atualmente o terceiro produtor mundial de compostos de polilefinas, com foco especial nos compostos reforçados e específicos para o setor automóvel (54% da produção). A capacidade da fábrica principal é de 40 000 t/ano, com duas linha Coperion.

Os desenvolvimentos mais recentes da WPP em matéria de redução de peso inserem-se na tendência geral do setor. Graus com elevada fluidez, impacto e brilho, combinação com fibras, processos de chemical foaming são algumas das direções seguidas pela empresa. Gianni Avalle referiu vários exemplos de aplicações auto baseadas em compostos, com reduções de peso de 8 a 40%.

Um Museu para os Plásticos

A Prof. Maria Elvira Callapez, cientista e professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem-se dedicado à história dos plásticos e das suas tecnologias. Um dos seus projetos é a criação de um Museu dos Plásticos. A ideia serve para perpetuar a memória dos objetos e realizações e também para cimentar a consciência da relevância dos plásticos na vida e na sociedade.

A comunicação da professora Callapez começou por uma reflexão sobre as perceções atuais sobre os plásticos e sobre as lacunas da formação e educação sobre a matéria.

Relativamente ao projeto do Museu, e depois de algumas imagens de objetos antigos, desde o celulóíde até ao Teflon, ficou a sugestão de apelar a todos quantos tenham objectos plásticos mais antigos que colaborem com a iniciativa. A preservação da memória histórica dos plásticos é uma verdadeira questão cultural.

Indústria 4.0 e redução dos custos energéticos

Nuno Fracisco, da VPS – Virtual Power Solutions, abordou o potencial da digitalização nas estratégia de redução de custos e de eficiência energética. A VPS é uma spin off da ISA e especializou-se na área da redução dus custos energéticos.

Com recurso a alguns exemplos práticos, o orador referiu o potencial de poupança a partir da análise nas necessidades reais de energia, a cada momento. A VPS fornece soluções baseadas em equipamentos e software de medição e análise de consumos.

A incontornável digitalização

Os temas da digitalização e da ‘indústria 4.0’ tornaram-se recorrentes em seminários industriais. O XXXII Seminário de Plásticos não podia ser exceção. Miguel Corais, consultor da Incentea desenvolveu o tema da transformação digital na indústria, associado àˋchamada internet das coisas.

Salientando a importância da capacidade de adaptação à mudança, Miguel Corais começou por referir os riscos de desaparecimento caso as empresas não se adaptem à digitalização e à internet das coisas. Depois referiu os vetores dos processos digitais, da manutenção, da logística e dos relatórios de dados.

Nos processos, destaca-se a generalização dos sistemas ERP e a tendência mais recente para a sua digitalização. Portugal é um dos países mais avançados nesta tendência.Miguel Corais referiu o caso da  OMNIA – Agile Delivery Platform, que disponibiliza o acesso web a informação e serviços, com ntegração com programas ERP. Referiu exemplos práticos para gerir processos de compra, de subcontratação e de “portal de funcionário”.

Na manutenção, a digitalização reduz tempos e custos. O orador exemplificou com a aplicação ValueKeep, para gestão de ativos.

Na área da logística, destacou o software EyePeak, totalmente integrável com os programas ERP.

Finalmente, e na área do data reporting, Miguel Corais referiu os softwares OE, para informação financeira) e BA (business analisys).

Desafios e resultados recentes na extrusão

O Prof. José António Covas, da Universidade do Minho, veio ao XXXII Seminário de Plásticos expor alguns desenvolvimentos recentes na tecnologia de extrusão, com destaque para a transformação de nanocompósitos em linha.

Depois de uma síntese da capacidade de extrusão do PIEP/Universidade do Minho, o Prof. António Covas referiu desenvolvimentos como a coextrusão de polietileno com betume, a extrusão de silicone, etc.

Nanocompóśíto é um material quando se conseque a dispersão de materiais à escala nanométrica, tais como nano argilas ou nanotubos de carbono, etc.. É possível desenvolver fibras com propriedades sensoras ou com propriedades de reação a parâmetros ambientais.

As nano argilas como a montorilonite, os grafenos de alta condutividade témica, os múltiplos derivados de grafeno, abrem novas perspectivas de abertura de novas aplicações. Em todo o caso, as previsões de mercado para os grafenos têm vindo a ser revistas em baixa. Na realidade, os grafenos ainda não estão comercialmente disponíveis porque têm forças de adesão muito elevadas e por isso são dificeis de dispersar até à escala nanométrica.

Em todo o caso, a investigação está em marcha e mais tarde ou mais cedo chegar-se-á à produção industrial. A Universidade do Minho está a investigar a influência do processamento nas propriedades do nan0compósitos, usando extrusoras de duplo fuso. Nestas, a dispersão ocorre, na sua maior parte, na fase da fusão.

Entre outros desenvolvimento, o Prof. Covas referiu a produção de filamentos de PEEK para impressão 3D com propriedades condutoras,  os testes não invasivos para medição em linha (in line), que envolvem a adaptação de reómetros à extrusora, e a monitorização da qualidade em linha com tecnologia laser.

Combibatch – um cocktail de côr e aditivos

Tiago Filipe apresentou no XXXII Seminário de Plásticos o conceito de ‘Combibatch’ proposto pela Inventive Materials, empresa portuguesa especializada na produção de masterbatches, aditivos e compostos.

O Combibatch é a combinação num único masterbatch do conjunto de aditivos e masterbatches de cor. Nos anos mais recentes, as aplicações têm evoluído no sentido da maior complexidade da aditivação. O Combibatch é uma solução cada vez mais utilizada que substitui os processos tradicionais e reduz a complexidade para o transformador.

Nos processos tradicionais, o “combi” requeria a dupla passagem pela extrusora, com os efeitos inevitáveis na degradação do polímero, dos custos e  limitação do teor de aditivo. Para evitar a dupla extrusão, é possível adicionar o aditivo após a dispersão do pigmento, num processo batch, mas com menor homogeneização. Uma terceira alternativa consiste em etrusoras tipo “contiuous mixer”. Neste caso, com aditivos de baixo ponto de fusao (anti UV, slip ou antiestáticos, apenas permite incoporações até 5% sem perda de qualidade.

O estado da arte é a produção em extrusoras de duplo fuso com alimentação lateral, operando em contínuo. Este processo é compatível quer para poliolefinas ou estirénicos, quer para plásticos de engenharia. Por outro lado, esta tecnologia permite teores superiores a 25%.

A primeira vantagem do Combibatch é o facto de usar apenas um dosificador e não ter necessidade de fazer pré-misturas (com os problemas inerentes de custos de mão-de-obra, segregação de materiais, etc.). A responsabilidade da formulação é transferida para o fornecedor e o risco de erro desce drasticamente. A combinação do masterbatch de cor e aditivo resolve os probllema de compatibilidade entre ambos e a responsabilidade por essa compatibilização depende de uma única fonte fonte. Além disso, a solução Combibatch reduz os custos de inventário.

Para finalizar a sua apresentação, o eng. Tiago Filipe referiu um exemplo concreto de desenolvimento de um Combibatch de côr, anti-UV, anti-estático e estabilizante.