Inovação: como dinamizar e financiar

“As empresas competem pela inovação, que é mais importante do que nunca” – disse o Dr. Filipe de Botton, CEO da Logoplaste, na abertura da mesa redonda sobre inovação incluída no programa do XXVI Seminário de Plásticos. Participaram nesta mesa redonda a Eng.ª Edenize Maron (SAP), o Dr. Pedro Deus (PwC), o Eng. Carlos Breda (Fersil), e o Eng. Carlos Tomé (CIE Plasfil).

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A Eng.ª Edenize Maron, da SAP, sintetizou a experiência da conhecida empresa de software: “o contexto de crise levou-nos a rever muitos aspectos não só da relação com os clientes, mas também na nossa organização interna”.

Partindo dos principais aspectos que caracterizam a indústria de plásticos, o Dr. Pedro Deus, da PriceWaterhouseCoopers (PwC), referiu que a inovação surge “frequentemente de forma fortuita”. No entanto, “a inovação deve ser mais controlada e cada vez menos acompanhada de forma passiva. É possível criar o ambiente mais favorável para a inovação e é possível criar as condições mais propícias para incentivar a inovação. Há ferramentas e indicadores que podem favorecer o processo de inovação interno”. O orador referiu ainda a possibilidade de recorrer a instrumentos financeiros como o QREN e o SIFIDE para financiar projectos de inovação e certificação de produtos”

O Eng. Carlos Breda, administrador da Fersil, trouxe ao XXVI Seminário de Plásticos a experiência de uma indústria transformadora. “O investimento de 2 a 3% da facturação em investigação trouxe vantagens como a maior competitividade, melhoria da produtividade e na qualidade dos produtos e serviços, recursos humanos mais qualificados, redução de custos e aumento de vendas”.

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O Eng. Gonçalo Tomé, director geral da CIE Plasfil, relacionou a inovação com a crise, com a incerteza e com a capacidade para “romper com os paradigmas”. “O mercado nem sempre dá o valor devido à inovação”. Com vários exemplos, o orador salientou que a inovação exige “estar atento”, “muito trabalho” e “estar comprometido com todos os departamentos da empresa”. “Ter êxito não é fazer coisas extraordinárias, é fazer coisas normais extraordinariamente bem”.

Na fase do debate, o Sr. Jorge Martins, da Inteplástico, referiu que na indústria de plásticos, existe margem para a inovação de processos, mas “pouca margem para a inovação de produto, nos casos em que o produto é completamente especificado pelo cliente”. Na opinião deste empresário, a inovação começa pela mentalidade na empresa: “a inovação não é um objectivo, mas um instrumento para produzir com mais eficiência e com mais qualidade”.

No debate que se seguiu, vários participantes referiram as experiências das suas empresas. Entre múltiplos exemplos de inovação, foram referidos casos de várias empresas (Inteplástico, Logoplaste, CIE Plasfil, Fersil, Celoplás, Vipex, Simoldes, entre outras). O Dr.. Rui Tocha referiu o papel do CENTIMFE como uma das entidades que podem apoiar as empresas nos processos e e projectos de inovação. Joaquim Vieira salientou o papel do PIEP (Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros), uma instituição que converte ideias em produtos.

Filipe de Botton deixou a ideia de associar a inovação à ambição: “Temos que ser ambiciosos e abandonar a ideia de que somos pequeninos, etc.. Não somos assim tão pequenos”. Para o Eng. Manuel Alegria, “não podemos inovar o que é propriedade dos clientes, mas podemos fazer parcerias para inovar nas matérias-primas, na logística, e por aí fora. Há que aceitar o risco, combinando-o com conhecimento". A inovação deve ser global, não se deve cingir ao produto”.