Medina Carreira no XXVI Seminário de Plásticos

image “Podemos dar a volta a isto, mas vi ser muito complicado”  – disse o Prof. Medina Carreira na abertura do XXVI Seminário de Plásticos, na manhã do dia 18 de Junho, em Monte Real. Depois de uma síntese da evolução da economia portuguesa em que destacou as sucessivas etapas de abertura, Medina Carreira salientou que o país perdeu a autonomia na condução económica. “As grandes decisões ou são tomadas em Bruxelas ou são determinadas ou influenciadas por Bruxelas" – disse o professor.  Mas há reformas possíveis, que está na mão do Estado fazer e que este não faz: a educação, a justiça, a burocracia, o peso do Estado, o sistema eleitoral, etc….”.

“Não nos preparámos com mais qualidade para lidar com este mundo mais aberto… A despesa pública é de uma tal rigidez que não se compensou a alta da procura privada. Como não tínhamos oferta para a procura alta, importámos e daí a origem do endividamento”.

Suportada com números, a intervenção do Prof. Medina Carreira repetiu os “sinais de alarme” e o carácter estrutural dos principais problemas da economia portuguesa, com destaque para o fraco crescimento. “Os anos em que os indicadores são melhores foram influenciados por factores externos, não por mérito das nossas políticas”.

Contrariando a ideia de que Portugal é e será uma economia orientada para os serviços, Medina Carreira salientou a necessidade de recuperar a produção agrícola e actividade industrial: “Temos que atrair investimento para os sectores primário e secundário, para inverter a situação de dependência em que nos encontramos”

Em vez de auto-estradas e de linhas de alta velocidade, o investimento público deveria privilegiar as escolas, os caminhos e toda a espécie e obras locais e dispersas que valorizam o país e não geram o mesmo grau de endividamento – defendeu ainda o Professor.

Pessimismo ou realismo?

“A intervenção do Prof.. Medina Carreira vem muito a propósito neste XXVI Seminário de Plásticos” – disse o Comendador Marcel de Botton, presidente da Direcção da APIP – “embora ele seja apontado como ‘pessimista’, o diagnóstico que faz é um exercício de realismo. Os empresários precisam de saber com o que podem e devem contar”.