Desenvolvimentos nas Embalagens de Paredes Finas

A sondagem levada a cabo pela associação The Packaging Community sobre os processos de decisão em matéria de embalagem concluiu, com base nos dados recolhidos em 9 países europeus, que existe uma preferência crescente pelos produtos sustentáveis e amigos do ambiente. Essa constatação está em sintonia com a tendência para a redução do peso das embalagens, vincada durante a Conferência sobre Embalagens de Paredes Finas, organizada pela AMI e realizada em Outubro do ano passado, em Colónia (Alemanha), John Nash, da AMI, descreveu as aplicações típicas deste tipo de embalagem: iogurtes, queijo, natas, produtos frescos, doces, gorduras, refeições prontas, sanduíches, alimentos para animais, congelados, etc.. O sector dos lacticínios é o mais importante, com quase 25% das vendas, enquanto o segmento das refeições refrigeradas regista a maior progressão. Os materiais dominantes são o PP e o PS, seguidos pelo PET e pelo PVC, ficando outros materiais com um a pequena percentagem.

A pesquisa feita pela Faerch Plast mostra que a indústria está interessada em mudar das latas e do vidro para os plásticos. Em 2008, a produção de tabuleiros termoformados chegou às 1,7 mil milhões. As embalagens para refeições prontas são fabricadas sobretudo em CPET e PP; as carnes frescas são embaladas em PP, APET, PS, ou AMPET®; os alimentos frescos e os produtos snack são embalados em APET, PLA, PS ou PP. A empresa desenvolveu um CPET modificado de alta barreira (AMPET®) que apresenta excelentes propriedades organolépticas, baixa migração, e que suporta temperaturas até 130-135 °C, permitindo reaquecer os alimentos no micro-ondas ou no forno convencional. Além disso, estas embalagens também têm abertura fácil e preço competitivo. Estão a ser utilizadas para produtos alimentares de longa duração pela empresa Larsen Danish Seafood: a cavala em molho de tomate pode ser armazenada durante dois anos em embalagem AMPET® com filme de fecho com revestimento de alumínio.
A Superfos Deutschland é o maior fabricante europeu de embalagens por injecção: produz 3,100 embalagens por minuto e também tem embalagens para tempo de vida útil até 2 anos, com filme barreira e rotulagem no molde.
A Kraft Foods passou da embalagem injectada para a embalagem termoformada e com isso reduziu 27% do peso das embalagens. Os produtos foram testados em conformidade com a norma ASTM D-4169 para verificar aspectos como a permeabilidade aos gases e à luz, a resistência ao impacto de queda e a resistência à compressão vertical. Os produtos lácteos requerem barreira aos UV que geralmente é obtida com carbonato de cálculo ou cargas de dióxido de titânio. Outra propriedade submetida a ensaios é o chamado efeito de "oil canning" que ocorre tipicamente quando o embalamento é feito a quente ocorre a deformação (abaulamento) da base, afectando a estabilidade da embalagem. A performance melhorou em termos globais: a resistência ao impacto aumentou, a resistência à compressão vertical, a resistência ao abaulamento do fundo e à transmissão da luz baixaram, mas situam-se ainda a níveis adequados.

A Anson Packaging fornece cerca de 15% das embalagens termoformadas para o mercado alimentar do Reino Unido, e foi uma das empresas aderentes do Courtaulds Agreement, que definiu o objectivo de redução de 10%. Os materiais actuais são o PP, o PET e o PS. O rPET (PET reciclado) é agora uma opção para reduzir a pegada de carbono. A empresa também mudou para a tecnologia "punch & die", que permitiu reduzir o peso dos potes de lados direitos de 11.3g para 9.0g, e dos potes redondos de 10.5g para 9.4g.
A  Illig Maschinenbau, construtor de máquinas de termoformagem afirma que reduziu os custos de material e consumo energético, comparativamente à tecnologia de injecção. As cadências de produção aumentaram e as máquinas também são capazes de processar novos materiais como o PLA. A Kiefel, por seu turno, também fornece máquinas de termoformagem com controlo por computador.

A Norner Innovation trabalhou para melhorar as propriedades barreira das embalagens injectadas com estruturas multi-camada. Em termos de permeabilidade ao oxigénio, utiliza materiais barreira como EVOH, PVDC e PA combinados com materiais de menor barreira. A baixa adesão entre os dois tipos de materiais implica a utilização de camadas de ligação, mas a Norner Innovation desenvolveu soluções que dispensam essa camada de ligação e que consistem na modificação dos polímeros – injectar duas camadas é mais simples que injectar três.

A rotulagem no molde, solução desenvolvida para melhorar a decoração das embalagens, também pode ser usada para adicionar propriedades barreira, tal como o revestimento de óxido de sílica. A Netstal-Maschinen forneces sistemas IML (in mould labelling, rotulagem no molde) e afirma que esta técnica permite produzir embalagens ainda mais finas, já que o rótulo adiciona uma camada isoladora e acresce a rigidez da embalagem.

Estão no mercado graus de PP melhorados, da Dow Europe. A elevada fluidez reduz os tempos de ciclo, permite injecção a temperaturas mais baixas, paredes mais finas e menos consumo de energia. A empresa também estudou as propriedades organolépticas e concretizou melhorias utilizando catalisadores de baixo odor, aditivos escolhidos criteriosamente, com tratamentos por peróxido limitados ou mesmo excluídos e ainda a tecnologia de processo UNIPOL™.  O material foi testado em termoformado transparente  e em opaco injectado. A Diow também testou a termoformagem de folha expandida, uma solução que permite reduzir o peso das embalagens de poliolefinas até 25%.

A SABIC Europe também desenvolveu PP melhorado com mais fluidez, resistência ao impacto e eficiência energética. A gama CLEARPACT pode ser injectada para embalagens transparentes para gelados, sopas e refeições prontas. Pode também ser transformada por extrusão-termoformagem para carnes, peixe, aves, alimentos de conveniência e congelados.

A Milliken fornece aditivos clarificantes para PP, incluindo sorbitol, que tem dado provas de alto brilho e boas propriedades organolépticas. A tecnologia nonitol da Milliken dá ao PS o aspecto do PS. Os aditivos nucleantes dão um contributo positivo para as propriedades de rigidez e impacto. Além disso, esta empresa tem aditivos específicos para termoformagem e injecção, com aprovação para contacto alimentar.

A RPC Containers é um dos principais fabricantes europeus de embalagens de paredes finas e trabalhou com a EVAL Europe e com a Ciba para produzir um novo tabuleiro barreira de PP/EVOH/PP contendo um absorvedor (scavenger) oxigénio (este scavenger foi adquirido à Ciba pela Albis). O PP assegura a estabilidade na esterilização e o EVOH assegura as propriedades barreira. O scavenger suporta o efeito barreira do EVOH durante o choque térmico, em que a estrutura molecular se torna mais permeável.

Os bioplásticos constituem uma alternativa aos polímero convencionais. Empresas como a Novamont estão a fornecer bioplásticos para injecção de taças, tabuleiros em bioplástico expandido e cápsulas de café.

A BASF fornece PS para embalagem e um dos alvos é o mercado das bebidas não carbonatadas. Cerca de 930 mil toneladas de PS são utilizadas na produção de embalagens de paredes finas na Europa. As aplicações de embalagem representam cerca de 46% das vendas de PS na Europa. O PS tem tempo de ciclo curto e apresenta vantagens em relação ao PET, pelo que requer menos material. Pode ser processado nas máquinas de injecção e nas máquinas de estiragem-sopro. O PS tem sido usado para fabricar garrafas para produtos alimentares tais como iogurtes líquidos, designadamente por empresas como a Andechser Molkerei e Schwaelbchen Molkerei. A Total Petrochemicals é outro dos fornecedores de PS para estas aplicações, e também membro da Associação Europeia de Produtores de PS. Esta material pode ser reciclado até 20 vezes e são vários os recicladores europeus especializados neste material como a Stichting Disposable Benelux, a Save-A-Cup (Reino Unido) e a Eco-collector (França e Benelux). O PS reciclado pode ser usado como camada intermédia entre camadas de material virgem, desde que aprovado para contacto alimentar. Também pode ser usado para aplicações não alimentares, como caixas de CDs e DVDs,  bancos, cabides, etc..É também um dos materiais de alto valor calorífico para a produção de energia por incineração.

As embalagens de paredes finas proporcionam os benefícios ambientais do baixo peso e da redução das embalagens, ao mesmo tempo que asseguram excelentes desempenhos para produtos desde os iogurtes às refeições prontas a ir ao forno.

A próxima Conferência AMI sobre este tema – Thin Wall Packaging 2010 – terá lugar nos dias 7 a 9 de Novembro em Colónia (Alemanha). Para mais informação, CLICAR AQUI, ou contactar a Dra. Sally Humphreys.