XXVII SEMINÁRIO DE PLÁSTICOS – A SÍNTESE

ENERGIA

A procura da eficiência energética é uma das prioridades da indústria de plásticos e da indústria em geral.

Os preços da energia vão aumentar. Já não é uma previsão – é um anúncio. As explicações para o aumento podem não ser – e não são – convincentes – mas o aumento é real e pode chegar aos dois dígitos.

A relação entre fornecedores e compradores de energia ainda se caracteriza pelo desequilíbrio e pelos mal-entendidos contratuais.

Os modelos de negócios baseados nos serviços de energia em que o prestador partilha investimentos e resultados são uma oportunidade de redução de custos para a indústria.

As indústrias de plásticos têm a oportunidade de se consorciar para criar um “bolsa de energia” que lhes permita negociar em bloco as condições de compra de energia.

INDÚSTRIA AUTOMÓVEL

Demasiado importante para não ser estudada e acompanhada com atenção máxima, quer pelo que vale em si (cinco unidades de montagem em Portugal), quer pelo que representa na facturação das indústrias de moldes e plásticos.

Está a crescer, mas não na Europa. A geografia dos mercados mudou.

As indústrias nacionais podem e têm capacidade para consolidar a sua reputação e a sua facturação no sector automóvel, mas terão que rever as novas ameaças e novas oportunidades neste sector.

INOVAÇÃO

Várias “novidades” apresentadas no SEMINÁRIO:

Na área dos NOVOS MATERIAIS, as gamas de PP que a SABIC desenvolveu para o sector automóvel e as famílias de polímeros semi-cristalinos de PBT e PBT/PC.

Na área da INJECÇÃO, a nova tecnologia de controlo da temperatura dos moldes e o seu potencial para reduzir os custos de energia e melhorar a qualidade das peças.

Na área da EXTRUSÃO, a tecnologia de “triplo balão” para produção de filmes multi-camadas com alta barreira, permitindo substituir os laminados com folha de alumínio.

Ainda nesta área, o modelo de cálculo em desenvolvimento e validação experimental na Universidade do Minho, para a concepção de ferramentas para extrusão e perfis.

RECICLAGEM E IMAGEM DOS PLÁSTICOS

As taxas de reciclagem de plásticos continuam a aumentar e o objectivo é valorizar todos os plásticos, combinando reciclagem e valorização energética. Zero aterro.

Nunca se exigiu tanta reciclagem, mas nunca houve tanta falta de material para reciclar. Continua-se a exportar para a Ásia o que podia e devia ser reciclado em Portugal.

Para além da quantidade, é indispensável melhorar os circuitos de recolha, para melhorar a qualidade dos reciclados e alargar o leque das aplicações.

A imagem dos plásticos não melhorou na opinião pública. A indústria alcançou grandes sucessos técnicos e ambientais, mas NÃO GANHOU A BATALHA DA COMUNICAÇÃO.

MOLDES

Os moldes asiáticos não são mais baratos. Basta juntar os custos de manutenção…

A indústria de moldes portuguesa pode não ser líder em facturação. Mas não está em segundo lugar em termos de tecnologia e qualidade.

Importa desenvolver e multiplicar as parcerias entre plásticos e moldes.

CRISE

Fazendo contas simples, os cenários de evolução são tão maus que… não podem acontecer. Com as medidas restritivas que conhecemos e as que estão para vir, daqui a 20 anos teremos ainda a dívida a pública a 120% do PIB.

Portugal precisa desesperadamente de exportar. Mas também precisa de substituir importações, ou seja, de produzir internamente e para o mercado interno. Não há estratégias erradas. O erro é a falta de estratégia.

Perante as dificuldades, não há que ter a ilusão de resistir sozinho, O associativismo é uma das respostas para as dificuldades. O investimento no associativismo reduz custos.

O futuro do País depende de dois factores essenciais, que estão na base de todos os outros:  em primeiro lugar, capacidade das pessoas para fazer mais e melhor, cá dentro e lá fora; em segundo lugar, transformar Portugal num País descomplicado e atraente para os investimentos e negócios.