Termoplásticos: recuperação modesta em 2010 e 2011 – 2012 incerto

De acordo com o European Plastics Industry Report 2011 recentemente publicado pela AMI Applied Market Information), 2010 foi um ano de recuperação da procura de termoplásticos, depois de dois dos piores anos de sempre para esta indústria desde os choques petrolíferos dos anos 70. Depois de uma queda na procura de mais de 15% no período de recessão, o volume da procura teve a modesta recuperação de 4% em 2010, excedendo ligeiramente os 37 milhões de toneladas.

O mercado foi induzido pela forte recuperação na Europa de língua alemã e pela inversão da tendência na indústria automóvel, uma das mais afectadas pela recessão. Esta constatação é evidenciada pelo regresso do crescimento da procura de polímeros de engenharia. Enquanto a maior parte dos sectores reportou a continuação do crescimento na primeira metade de 2011, os sinais de desaceleração fizeram-se soar em meados do ano e apontaram para um final de ano com taxas de crescimento a metade do nível de 2010 e ligeiramente acima das taxas de crescimento do PIB. A recuperação foi, em geral, errática e irregular, mostrando que o mercado europeu ainda não encontrou o caminho para recuperar o nível pico de 2007, quando o mercado atingiu os 41 milhões de toneladas.

A recuperação da procura nos dois últimos anos foi desafiada por factores como a disponibilidade de matérias-primas e a volatilidade dos preços. Para além do aumento dos preços dos polímeros, praticamente constante entre Dezembro de 2009 e Junho de 2011, sobretudo devido ao aumento dos custos com matérias-primas, os transformadores tiveram ainda que enfrentar preços anormalmente elevados e situações de escassez severa para um vasto conjunto de pigmentos e aditivos necessários aos processos de transformação. A indústria de plásticos europeia opera como parte de uma indústria global que é fortemente influenciada por padrões de compra internacionais. O boom da procura na Ásia, particularmente na China mas também na Rússia e na Índia, sugou as matérias-primas para fora da Europa. A oferta foi também afectada pelos atrasos na disponibilidade de novas capacidades de produção no Médio Oriente e pela redução das capacidades na Europa, provocadas por escassez de matérias-primas e por greves (França). Estes factores estiveram na origem de períodos de grande dificuldade de aprovisionamento de vários materiais, com destaque para vários graus de PEBD, PP e PS.

Enquanto certas aplicações recuperaram praticamente os volumes perdidos por efeito do esgotamento dos stocks e da baixa do consumo em 2009, outras estão a passar por mudanças estruturais que têm impacto nas tendências da procura. A redução de peso, a reciclagem e os temas ambientais e de sustentabilidade continuam a desafiar a utilização de plásticos em várias aplicações, com destaque para a embalagem. O PET, por exemplo, está actualmente a registar taxas de crescimento muito mais baixas, mesmo apesar das numerosas novas aplicações e mercados, como é o caso das embalagens para cerveja e para vinho.
A recessão e a recuperação subsequente também trouxeram uma mudança de tendência em vários países. Enquanto há alguns anos a Alemanha era encarada como mercado maduro, de crescimento moderado, com uma indústria de plásticos a tentar mover-se para a Europa central, agora a Alemanha, com a sua economia e a sua indústria transformadora forte, é encarada como a locomotiva para a Europa Ocidental e Central. As perspectivas animadoras traçadas para os países da Europa do sul – Espanha, Portugal, Itália e Grécia – desvaneceram-se com o rebentar das bolhas de activos e as crises dos défices orçamentais. O crescimento da transformação de plásticos nestes mercados, se existir, será induzido pelas exportações de produtos, já que os mercados locais de construção e de consumo permanecem em baixa.

Outro impacto da recessão foi a redução do consumo per capita de termoplásticos (tomando por base a transformação de plásticos e não a procura de produtos plásticos). O consumo per capita de polímeros em 2011 mantêm-se ao nível dos 74 kg/hab, contra os 82 kg/hab de 2007. Como esperado, os níveis são geralmente mais elevados na Europa ocidental, apesar de alguns países da Europa central, como as repúblicas Checa e Eslovaca, a Eslovénia e a Hungria, terem já atingido níveis similares aos da Europa ocidental, indicando a deslocação da tendência de crescimento para leste. O Reino Unido tem agora o mais baixo nível de consumo per capita de termoplásticos da Europa Ocidental, evidenciando o declínio da transformação de plásticos ocorrido ao longo da última década. A região Benelux continua a ter o nível mais elevado de consumo per capita em grande parte devido à presença de alguns dos maiores transformadores-expoertadores de filmes, fibras, compostos e masterbatches.

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A AMI prevê que o crescimento da procura de polímeros em 2011 fique ligeiramente acima do crescimento do PIB, com uma taxa de apenas 2% conseguida à custa do crescimento da procura no primeiro semestre. A maturidade crescente da indústria de plásticos europeia significa que o crescimento futuro estará cada vez mais colado à evolução do PIB.