A indústria do PVC, os materiais renováveis e a legislação

A indústria de compostos de PVC tem vindo a ser afectada nos anos recentes por mudanças na regulamentação dos produtos químicos, a qual retirou do mercado alguns dos aditivos tradicionais, ao mesmo tempo que é posta ênfase nos aspectos renováveis, designadamente os plastificantes bio, e na reciclagem. As associações ligadas ao PVC estabeleceram compromissos voluntários para antecipar objectivos da legislação e isso colocou esta indústria numa posição de liderança em áreas como a reciclagem. Durante este ano, a Europa vai registar mais mudanças nas formulações, dado que os biocidas normalizados que são utilizados na maior parte das aplicações exteriores, tais como coberturas impermeáveis, terão que ser substituídos por produtos alternativos. Também se discute como ingredientes bio requerem biocidas para evitar a degradação.

A Applied Market Information (AMI) organizou um forum para debater estas mudanças: a 5ª Conferência Internacional ‘PVC Formulation 2013’, que decorre nos dias 12 a 14 de Março em Dusseldorf, Alemanha. A conferência junta a indústria global do PVC para passar em revista os novos aditivos, formulações, tecnologia, legislação e tendências do mercado. A Vinnolit apresentou uma panorâmica do mercado do PVC na Europa, seguida por uma perspectiva, apresentada pelo Sr. Ali Murat Ayar, sobre o mercado do PVC numa economia em crescimento: a da Turquia.

A Deceuninck, fabricante de perfis, colocou em evidência os principais avanços em matéria de actuação responsável em matéria de redução, reutilização e reciclagem. O Dr Ettore Nanni, CEO da Reagens referiu o projecto da empresa em matéria de uso sustentável de aditivos. A União Europeia tem vindo a legislar contra o uso de metais pesados e isto afectou a estabilização do PVC. A indústria teve que abandonar a estabilização eficaz baseada no chumbo e mudar para novos produtos tais como Ca/Zn.  A Baerlocher é uma das empresas que oferece sistemas de estabilização para o sector da construção. Os minerais naturais são úteis não só como cargas, mas também como ingredientes activos, tais como retardantes, como vai demonstrar a Minelco durante a conferência da AMI. Os fosfatos de éster têm efeitos retardantes e propriedades plastificantes e a Lanxess vai referir o potencial de utilização destes aditivos em compostos de PVC, em combinação com trióxido de antimónio, borato de zinco e cargas.

A situação actual do mercado dos plastificantes será apresentada pelo ECPI (European Council for Plasticisers and Intermediates). Há uma tendência crescente na indústria de plásticos para os materiais bio e naturais, especialmente os plastificantes bio. Nos EUA, o ‘Biopreferred programme’ da USDA destaca o "carbono renovável". A América do Sul tem vastas áreas para o desenvolvimento do cultivo e poderá tomar a liderança do fornecimento de bio-plastificantes. A Varteco Quimica Iberica, da Argentina vai apresentar uma panorâmica sobre este mercado, enquanto a PETROM – Petroquimica Mogi Das Cruzes, do Brasil, em parceria com a Proviron Functional Chemicals, vai apresentar novos plastificantes. A Hallstar também desenvolveu produtos naturais para este mercado. No entanto, há que dar resposta às dúvidas sobre os efeitos desta substituição nas formulações dos compostos de PVC. Serão estes materiais tão biodegradáveis que necessitem de microbiocidas para preservar o vinilo?

A Directiva Biocidas da UE vai afectar um ingrediente comum nesta indústria: os antimicrobianos OBPA largamente usados em aplicações exteriores vão ser banidos. A Akros Chemicals passará e revista as mudanças e as formulações alternativas, e alguns dos dados provisórios sobre as necessidades potenciais de biocidas resultantes do uso de materiais bio. A Sanitized, da Suiça, estudou a protecção antimicrobiana do PVC com plastificantes bio.

O PVC é largamente usado em embalagem alimentar, designadamente em filmes. A Polycomply Hoechst, empresa produtora e prestadora de serviços, vai fazer uma apresentação das normas actuais. A apresentação será completada com a perspectiva de um fabricante, a James Halstead/Polyflor.

Vários factores afectam a produção de compostos de PVC: a Chemsom vem examinar o efeito e a regulação da humidade. A Dow vai analisar os tópicos da estabilidade térmica e da resistência ao impacto. A Kaneka Belgium ocupar-se-á da possibilidade de produzir mais espumas com menos aditivos. A BASF vai apresentar aditivos de processamento baseados em ceras de PE. Também o tema da coloração do PVC está no programa da conferência, com a apresentação da Holland Colours.

Quais são os aditivo alternativos para a formulação de compostos de PVC? Quais os requisitos para os utilizadores finais? Há melhorias no processamento de PVC? Quais são as tendências do mercado? É realista incorporar reciclados? Estas são questões em aberto na conferência PVC Formulation 2013 conference.