Reciclagem de PET – avaliação positiva pela EFSA

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A EFSA, Autoridade Europeia de Segurança Alimentar, avaliou dez processos de reciclagem de resíduos pós-consumo de embalagens de PET, utilizados por empresas recicladoras europeias, incluindo a Evertis, de Portugal. Todos os processos se baseiam na tecnologia "basic" da EREMA, construtor de equipamentos de reciclagem com sede na Áustria.

O PET reciclado obtido nestes processos destina-se a ser usado em percentagens: 1) até 75%, em misturas com PET virgem para a fabricação de garrafas destinadas a contactos com todo o tipo de produtos alimentares, e 2) até 100% para a produção de tabuleiros termoformados destinados a todo o tipo de produtos alimentares, excepto água. Todas as aplicações envolvem armazenagem prolongada à temperatura ambiente, e podem ou não incluir enchimento a quente.
Os processos analisados incluem três etapas. Na primeira, as embalagens usadas (resíduos pós-consumo) são processadas e transformadas em flocos secos, após um banho cáustico. Estes flocos são o input do sistema de descontaminação EREMA Basic, em que são aquecidos num reactor em contínuo sob vácuo (2ª etapa), seguindo-se a extrusão (3ª etapa). Foram tidas em conta as especificações do material de input para cada um dos processos e a proporção de embalagens não alimentares foi reportada abaixo de 5% em cada um dos referidos processos.
A EFSA realizou um ensaio-desafio à escala industrial com contaminantes substitutos para medir a eficiência de descontaminação da segunda etapa (reactor em contínuo). Foi usada uma mistura de flocos não contaminados (brancos) com flocos contaminados (PET verde cravado de contaminantes), de forma a calcular a eficiência de descontaminação tendo em conta a medida de contaminação cruzada, isto é, a transferência de contaminantes dos flocos verdes para os flocos brancos durante o processo. A segunda etapa do processo foi considerada pelos membros do Painel como a etapa crítica para remover os possíveis contaminantes, pelo que deve ser mantida sob controlo para garantir o desempenho e a descontaminação por estes processos.
As eficiências de descontaminação obtidas para cada contaminante substituto variam, entre 89.4 % e 99.2 % e foram usadas para calcular as concentrações residuais de contaminantes desconhecidos potencialmente presentes nas pellets (Cres), de acordo com o procedimento de avaliação descrito na Opinião Científica ”the criteria to be used for safety evaluation of a mechanical recycling process to produce recycled PET” (EFSA CEF Panel, 2011). De acordo com os princípios de avaliação, a Cres não deve ser superior a uma concentração modelo (Cmod) correspondendo a uma migração, após um ano a 25 °C, que não origine uma exposição dietária que exceda 0.0025 μg/kg bw/dia (microgramas por kg de peso do corpo, por dia), o limiar de exposição abaixo do qual o risco para a saúde humana será negligível. Para os processos que produzem PET destinado à fabricação de garrafas, foi considerado o cenário de exposição para crianças, como o pior cenário possível. Uma exposição dietária de  0.0025 μg/kg bw/dia corresponde a uma migração máxima de 0.1 μg/kg de uma substância contaminante no alimento da criança, calculado segundo o modelo conservador de migração. Para os processos que produzem PET destinado à fabricação de tabuleiros e embalagens para todo o tipo de alimentos menos água (porque a água pode ser usada para preparar a fórmula para crianças), o cenário de exposição para crianças com mais de 12 meses foi aplicado como pior cenário, em que uma exposição dietária máxima de 0.0025 μg/kg bw/dia corresponde a uma migração máxima de 0.15 μg/kg do contaminante no alimento para crianças. Logo, a correspondente migração de 0.1 μg/kg (cenário crianças) e 0.15 μg/kg (cenário crianças com mais de 12 meses de idade) para o alimento foi usada para calcular o Cmod. Se as pellets produzidas pelo processo de reciclagem para produzir novas embalagens não satisfizerem estes limites, então em vez da utilização a 100% devem ser misturadas com PET virgem para garantir que o Cres não é maior que o Cmod. Isto foi efectuado para diferentes tempos de residência, requeridos pelas diversas empresas que solicitaram a opinião da EFSA. O Painel de peritos da EFSA estabeleceu as percentagens máximas de PET reciclado nos artigos finais (embalagens) para os quais o risco para a saúde humana foi considerado negligível. Estas percentagens diferem consoante os pedidos formulados pelas várias empresas.

imageO Painel da EFSA considerou que os processos estão bem caracterizados e as principais etapas de reciclagem dos flocos de PET para obter pellets descontaminadas estão identificadas. Depois de examinar os resultados dos ensaios-desafio, o Painel concluiu que a descontaminação no reactor em contínuo (segunda etapa) é a etapa crítica para a eficiência de descontaminação dos processos. Os parâmetros de operação para controlar o seu desempenho são a temperatura, a pressão e o tempo de residência. Em consequência, o Painel considerou que os processos de reciclagem das empresas  Octal, Pregis, Sabert, Linpac, ExtruPET, Evertis, Holfeld, Huhtamaki, Snelcore e Re-PET são capazes de reduzir toda e qualquer contaminação acidental previsível do PET reciclado a uma concentração que não origina preocupação com o risco para a saúda humana desde que:

– sejam operados pelo menos com o grau de severidade utilizado no ensaio-desafio utilizado para medir a eficiência de descontaminação dos processos, e
– os processos tenham como input flocos lavados e secos que tenham sido produzidos em conformidade com a legislação europeia sobre contacto alimentar e que não contenham mais do que 5% de PET de aplicações de consumo não alimentares, e
– que as garrafas fabricadas com as pellets recicladas não contenham mais de 40% de PET reciclado pós-consumo no caso da ExtruPET, 60% de PET reciclado pós-consumo no caso da Evertis e 85% de PET reciclado pós-consumo no caso da Re-PET, e
– que os tabuleiros termoformados e embalagens fabricados com as pellets recicladas e não usados para embalar água não contenham mais do que  65% de PET reciclado pós-consumo no caso da ExtruPET, Pregis e Octal, 75% de PET reciclado pós-consumo no caso da Snelcore, 90% de PET reciclado pós-consumo no caso da Evertis, Linpac – linha 1 e Huthamaki, e 100% de PET reciclado pós-consumo no caso da Re-PET, Linpac – linha 2, Holfeld e Sabert.

Em consequência, o PET reciclado obtido pelos processos da ExtruPET, Evertis e Re-PET destinado à fabricação de garrafas em contacto com todo o tipo de alimentos e dos processos das empresas ExtruPET, Evertis, Re-PET, Octal, Pregis, Sabert, Linpac, Holfeld, Huhtamaki e Snelcore para a produção de tabuleiros termoformados e embalagens para todo o tipo de alimentos (excepto água) para armazenamento por períodos longos à temperatura ambiente, com ou sem enchimento a quente, não é considerado como envolvendo preocupação de segurança desde que as embalagens finais sejam produzidas com percentagens de PET reciclado pós-consumo até aos limites acima referidos. Os tabuleiros não são destinados a ser usados em fornos convencionais ou micro-ondas.

Avaliação positiva para a tecnologia "Advanced"

A EFSA também avaliou os processos de reciclagem de PET pós-consumo baseados na tecnologia "Advanced" da EREMA, utilizados pelas empresas Kruschitz, Vogtland PET, Veolia, ITW Polyrecycling, Texplast, Alimpet e Esox Prodimpex.
O PET reciclado obtido por estes processos é destinado a ser usado até 100% para aplicações similares: garrafas, tabuleiros termoformados e embalagens. A eficiência de descontaminação foi avaliada com recurso ao mesmo ensaio-desafio.
Os processos compreendem quatro etapas. Na primeira, as embalagens PET usadas são transformadas em flocos lavados e secos, após lavagem cáustica, que servem de input para o sistema de descontaminação da EREMA. Na segunda etapa, os flocos secos são aquecidos num reactor em contínuo (2ª etapa) a alta temperatura e submetidos em seguida a um segundo reactor em contínuo (3ª etapa) a temperatura ainda mais elevada e a vácuo, seguindo-se a extrusão (4ª etapa). Foi realizado o ensaio-desafio similar, em escala industrial, para medir a eficiência de descontaminação. A 3ª etapa foi considerada pelo Painel como a etapa crítica para a remoção dos possíveis contaminantes, pelo que deverá ser mantida sob controlo para garantir o desempenho da descontaminação. Com base nos resultados do ensaio, o Painel concluiu que os processos de reciclagem são capazes de reduzir toda e qualquer contaminação acidental previsível do PET reciclado a uma concentração que não origina preocupação com o risco para a saúda humana desde que:

– sejam operados pelo menos com o grau de severidade utilizado no ensaio-desafio utilizado para medir a eficiência de descontaminação dos processos, e
– os processos tenham como input flocos lavados e secos que tenham sido produzidos em conformidade com a legislação europeia sobre contacto alimentar e que não contenham mais do que 5% de PET de aplicações de consumo não alimentares, e
– que as garrafas fabricadas com as pellets recicladas não contenham mais de 40% de PET reciclado pós-consumo no caso da Alimpet, Esox Prodimpex – linha 1, Veolia, ITW Polyrecycling e Texplast – linha 1, 80% de PET reciclado pós-consumo no caso da Esox Prodimpex -linha 2 e 100% de PET reciclado pós-consumo no caso da Vogtland PET -linha 2 e Kruschitz, e
– que os tabuleiros termoformados e embalagens fabricados com as pellets recicladas e não usados para embalar água não contenham mais do que  65% de PET reciclado pós-consumo no caso da Alimpet, Esox Prodimpex – linha 1, Veolia, ITW Polyrecycling e Texplast – linha  1 e 100% de PET reciclado pós-consumo no caso da Snelcore, 90% de PET reciclado pós-consumo no caso da Evertis, Linpac – linha 1 e Huthamaki, e 100% de PET reciclado pós-consumo no caso da Vogtland PET -linhas 1 e 2, Texplast – linha 2, Esox Prodimpex -linha 2 e Kruschitz.

Em consequência, o PET reciclado obtido pelos processos da Kruschitz, Vogtland PET, Veolia, ITW Polyrecycling, Texplast, Alimpet e Esox Prodimpex para a produção de garrafas, tabuleiros termoformados e embalagens para todo o tipo de alimentos (excepto água), não é considerado como envolvendo preocupação de segurança desde que as embalagens finais sejam produzidas com percentagens de PET reciclado pós-consumo até aos limites acima referidos. Os tabuleiros não são destinados a ser usados em fornos convencionais ou micro-ondas.