Na senda dos polímeros verdes

As gerações futuras vão necessitar de uma estrutura de fornecimento de matérias-primas orientada para a sustentabilidade, o que justifica a aposta da AMI na organização da conferência Greem Polymer Chemistry 2014, que terá lugar nos dias 18 a 20 de Março em Colónia, Alemanha.

As fontes renováveis são uma das tendências para as os principais detentores de marcas a nível global, especialmente os que estão na origem da Iniciativa Agricultura Sustentável, que define normas a que os fornecedores deverão aderir. Isto também é válido para os polímeros de origem "bio", com a exigência de o seu desenvolvimento não dever afectar a segurança das provisões alimentares. Como certificar as credenciais verdes?

O ISCC estabeleceu um sistema de classificação para as matérias-primas "bio" e "não bio". As empresas químicas envolvidas na química verde assumiram que a análise de ciclo de vida traz vantagem. A Solvay apostou no desenvolvimento de um PVC de base "bio" no Brasil e recorreu à Universidade de Ghent para conduzir a análise de ciclo de vida (LCA).

Os engenheiros químicos têm trabalhado no desenvolvimento de soluções economicamente viáveis para produzir monómeros e polímeros e já é vasto o leque de pesquisas e inovações das principais empresas petroquímicas, como é o caso da BP e da Neste Oil, para terem um lugar no desenvolvimento da indústria bio-química.

Ao mesmo tempo, as empresas florestais e agrícolas com sistemas de química e fermentação estão à procura de novos mercados, como é o caso da Croda, com elementos de base para elastómeros e plásticos de alta performance, da SP Processum (Suécia) com derivados da madeira, e da Roquette (França), que detém a maior bio-refinaria da Europa. Novas empresas estão a posicionar-se com inovações específicas. A Rennovia produz produtos intermediários de base "bio" para poliamidas 6.6 e polióis de poliuretano, enquanto a Vencorex (França) tem o primeiro lugar nos isocianatos de base "bio" para poliuretano.

As universidades e institutos de pesquisa tomaram a dianteira no ensaio de novas vias de síntese. A Universidade de Osaka investigou novos caminhos para obter monómeros a partir de óleos de plantas e a Universidade de Bolonha desenvolvei fenóis a partir de fontes naturais (um dos quais pode substituir o bisfenol A em revestimentos epoxi). Em Singapura, o Instituto de Ciência Química e Engenharia desenvolveu novos caminhos para produzir poliamida verde a partir  de ácido adípico a partir da biomassa. Na Alemanha, a BASF criou uma nova empresa, Scciciny GmbH, para produzir ácido succínico. A Corbion Purac já dispõe de tecnologia para produzir monómeros de ácido orgânico.

Entretanto, os transformadores e utilizadores de plásticos e elastómeros, especialmente os detentores de marcas e as empresas listadas no Índice de Sustentabilidade Dow Jones, olham para os desenvolvimentos de mercado à procura de produtos substitutos com credenciais "verdes" genuínas. Algums já estão disponíveis. A Poliplex Company (Índica) fabrica filmes de bio-PET. A Lanxess Elastomers está a vender o primeiro elastómero EPDM de base "bio" e a Arkema oferece uma gama de poliamidas "bio". O Instituto de Pesquisa Tèxtil de Taiwan  analisou os produtos "bio" disponíveis na região asiática, designadamente as poliamidas. Estes novos materiais deverão estar no mercado em quantidades suficientes para poder satisfazer a procura dos sectores automóvel e embalagem.

Existe a oportunidade de usar resíduos plásticos como fonte primária em processos químicos. As empresas do sector podem fechar o círculo com a reciclagem química de resíduos plásticos e a sua conversão em novos plásticos virgens. A Universidade de Manchester patenteou recentemente um sistema melhorado de reciclagem química (feedstock). Outra fonte de feedstock de carbono é a água residual, tema de investigação da Veolia.

Estão a suceder-se as inovações, à medida que os químicos e os engenheiros descobrem novas fontes para produzir termoplásticos, elastómeros e termofixos. Este é o tema da conferência Green Polymer Chemistry 2014, que irá reunir participantes da indústria e da investigação, para encontrar novos caminhos sustentáveis e lucrativos. para mais informações sobre esta conferência, clicar AQUI.