A Perspetiva Europeia do setor transformador

​Alexandre Dangis, diretor geral da EuPC – European Plastics Converters, traçou o panorama da indústria transformadora de plásticos na Europa. A EuPC agrega 50 associações nacionais, mais de 50 000 empresas, com 1,7 milhões de empregados, que processam mais de 50 milhões de toneladas de materiais plásticos. 

A evolução da economia linear para a economia circular é essencial para esta indústria, que vai continuar a estar exposta às críticas e regulamentações ambientais. “Depois das garrafas e dos sacos de plástico, tudo o que é fabricado em plástico vai estar sujeito ao meso tipo de pressão” – referiu Alexandre Dangis. A EuPC dedica boa parte dos seus recursos à monitorização europeia com efeitos no setor.

Para além das questões ambientais, o setor precisa de ter mais dinamismo e agressividade comercial. Na estrutura da EuPC, as prioridades estratégias corporizam comités e grupos de trabalho específicos. A EuPC prevê um acréscimo dos desafios de competitividade, com a importância crescente da industria asiática e turca e com a entrada da indústria do norte de África e do Médio Oriente no mercado global. Por outro lado, assiste-se a uma tendência para a fragmentação do mercado único europeu.
Para reconquistar a competitividade, a indústria necessita de fornecimento fiável, de pessoal mais qualificado, de novos graus de matérias-primas para mercados de nicho, de mais cooperação com os contrutores de máquinas e de mais desenvolvimento de produtos inovadores.

O relacionamento entre a indústria transformadora e a indústria produtora de matérias-primas é uma das áreas de trabalho mais intenso. Existe uma enorme diferença de dimensão entre produtores e transformadores e a controvérsia sobre a evolução dos preços da matérias-primas é um dos temas recorrentes. Na realidade, os preços não têm refletido a evolução do preço do petróleo e têm-se repetido as situações de invocação de “força maior” para provocar paragens de produção que induzem aumentos de preços. Para compensar a diferença de dimensão e de poder negocial, a indústria criou, em maio de 2015, a Polymers for Europe Alliance, uma plataforma de informação sobre o mercado das matérias-plásticas, com um website específico: http://www.polimercomplyeurope.eu. Esta plataforma conta com 4 empresas portuguesas, número que Alexandre Dangis considerou muito baixo.

“A situação parece estar sob controlo, mas a situação de “força maior” artificial pode voltar a acontecer” – disse Alexandre Dangis.