Reciclados Oceânicos têm futuro?

Já se vê com mais frequência a indicação explícita de incorporação de reciclados. No passado, esta característica era omitida mas agora são os próprios embaladores que que a procuram. Graças à evolução da tecnologia de reciclagem, a incorporação de reciclados já não é associada à ideia de produtos de menor qualidade. A incorporação de reciclados tornou-se um argumento adicional de venda, sobretudo quanto as empresas pretendem estabelecer um posicionamento ambiental para as suas marcas.

imageO tema recorrente da poluição dos oceanos fez surgir novas oportunidades de iniciativa ambiental. A garrafa Ecover, desenvolvida pela Logoplaste a partir de plástico reciclado, incluindo 10% de resíduos plásticos recolhidos nos oceanos, recebeu vários prémios ao longo dos últimos anos, incluindo alguns dos mais importantes concursos de packaging design (Pentawards, Red Dot, iF). A primeira utilização comercial foi lançada pela marca ECOVER (Reino Unido), empresa com forte posicionamento ambiental, para uma das suas linhas de detergentes de uso doméstico.

imageNo outro lado do oceano atlântico, a Method Products (S. Francisco, Califórnia, EUA) lançou também uma linha de detergentes domésticos em embalagens fabricadas a partir de "ocean plastics". O formato das embalagens – em forma de gota – é similar ao das garrafas ECOVER.

A Envision Plastics (Reidsville, Carolina do Norte, EUA), é a empresa recicladora que está por trás destas embalagens, fabricadas com reciclados que incluem resíduos plásticos recolhidos nas praias americanas. As primeiras "ocean plastic bottles" surgiram no mercado em 2012.

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Em meados de 2015, a marca Adidas apresentou uma linha de calçado desportivo com parte superior fabricada com fibras produzidas a partir de resíduos plásticos oceânicos, com design de Alexander Taylor, de Londres e a chancela da Parley, uma das organizações dedicadas ao tema da poluição dos oceanos.

 

Perspectivas

Recuperar e reciclar resíduos plásticos dos oceanos é certamente uma ideia meritória. Em todo o caso, há que distinguir a realidade da ficção. Na maior parte dos casos, os "reciclados oceânicos" são apenas uma fração da matéria-prima usada. A Logoplaste fez questão de deixar claro que o teor oceânico era de apenas 10%, mas nem todos seguiram o mesmo exemplo…
Por vezes usa-se o ataque aos plásticos para justificar a venda de… mais plásticos. Apresentar embalagens transparentes e cristalinas como se fossem fabricadas apenas com reciclados oceânicos deixa sérias dúvidas. Por outro lado, não existe recolha sistemática dos plásticos nos oceanos, nem tal ideia se afigura sensata para o futuro. Dos plásticos que poluem os mares, só uma pequena parte resulta de descargas no mar. Se a a maior parte vem de terra, a solução está em não descartar e em reter esses materiais em terra. Os produtos baseados em "reciclados oceânicos" não têm futuro… a menos que se continue a poluir os oceanos.

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