China restringe importação de resíduos plásticos

Depois da operação "Green Fence" (cerca verde) de 2013, a Administração Geral das Alfândegas da China lançou este ano a operação "National Sword" tendo como objetivo contrariar a importação ilegal de resíduos. Segundo a agência de notícias Xinhua, a operação visa sobretudo resíduos industriais, eletrónicos e plásticos. Lançada em Janeiro, a operação já impediu a entrada na China de várias cargas de resíduos, mas manteve os portos abertos. No entanto, alguns operadores do negócio dos resíduos referem que a proibição pode ocorrer num futuro próximo. É o caso de Steve Wong, vice-presidente executivo da Associação Chinesa de Resíduos Plásticos.
As autoridades chinesas atacam em três planos. Para além das alfândegas, estão a perseguir operações ilegais de reciclagem. Um dos casos de maior impacto, noticiado em Dezembro de 2016 em Jiangsu, foi a prisão de três responsáveis por uma operação de reciclagem de resíduos hospitalares perigosos para produzir brinquedos e artigos domésticos. Na realidade, a "reciclagem" ilegal, em condições infra-humanas, com exploração e exposição de crianças, ainda grassa na China. Polui mais do que recicla, mas gera muito dinheiro.

O terceiro plano de atuação é o investimento na recolha e tratamento dos resíduos "internos", como substitutos da importação. Em Janeiro deste ano, a Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma, anunciou um programa de investimento no valor de 33 mil milhões de euros para promover a recolha seletiva e o tratamento adequado de resíduos domésticos. A estratégia oficial visa substituir a importação de resíduos e garantir o aprovisionamento das indústrias de reciclagem a partir de resíduos de origem nacional. Ninguém sabe quando nem quanto, mas a proibição da importação de resíduos plásticos é tida como inevitável. Os tempos podem ficar difíceis para os operadores de exportação de resíduos para a China.

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