Bioplásticos em Valência

imageA procura de materiais de origem renovável deverá duplicar entre 2014 e 2019, ano em que serão necessários 1,4 milhões de hectares para a sua produção, sem competir com a área necessária para o cultivo de alimentos, próxima dos 1240 milhões de hectares. A estimativa foi adiantada por Constance Ißbrücker, da European Bioplastics, durante o Seminário Internacional sobre Biopolímeros e Compósitos Sustentáveis, realizado nos dias 1 e 2 de Março, em Valência (Espanha).
Organizado pelo AIMPLAS, o seminário reuniu mais de 170 profissionais e atualizou a informação sobre as aplicações dos bioplásticos para embalagem alimentar, equipamentos de desporto e para o setor automóvel. Materiais inovadores como o óleo de rícino, a cana de açúcar, o milho e o soro de leite já estão a ser utilizados em aplicações como pranchas de surf e snowboard e também nos setores automóvel e da construção, bem como em embalagens de alta barreira e embalagens alimentares de alta resistência térmica. Durante o seminário de Valência, a BASF apresentou as cápsulas dos Cafés Novell,image a Renault fez uma apresentação sobre o potencial dos biocompósitos no sector automóvel e o Instituto API referiu os desenvolvimentos de biopolímeros para impressão 3D e para o fabrico de cordas para agricultura e redes de pesca. O AIMPLAS apresentou os resultados do projeto OSIRYS, dedicado ao desenvolvimento de biocompósitos para fachadas e divisórias para melhorar a qualidade do ar.
O seminário internacional analisou também as normas que atualmente regulam a utilização de biopolímeros a nível industrial, bem como a biotecnologia e os processos naturais de produção de biopolímeros como a fermentação ou a partir de micro-organismos.

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Os sacos de plástico biodegradável são um mito – diz a PRE

"Os sacos de plástico biodegradáveis são um mito" – afirma o prof. Richard Thomson, durante uma audiência pública sobre os sacos de plástico organizada pelo grupo parlamentar The Greens/Free Alliance Group do Parlamento Europeu, no dia 19 de Fevereiro. Durante este encontro, Ton Emans, presidente da associação PRE (Plastics Recyclers Europe) confirmou que mesmo uma percentagem tão baixa como 2% de material degradável no fluxo destinado à reciclagem é susceptível de criar problemas aos recicladores.
De acordo com a PRE, o futuro da Europa está no desenvolvimento de reciclados plásticos de qualidade para produzir novos produtos e não no downcycling e na desinformação dos consumidores sobre a biodegradabilidade e/ou compostabilidade dos produtos no ambiente (incluindo o ambiente marinho). Aludiu ao estudo da EuPC do ano passado que incluiu testes à escala industrial com filmes de PE produzidos com reciclados. Este estudo independente demonstra os problemas causados pelos materiais degradáveis nos fluxos actualmente destinados à reciclagem.

Na senda dos polímeros verdes

As gerações futuras vão necessitar de uma estrutura de fornecimento de matérias-primas orientada para a sustentabilidade, o que justifica a aposta da AMI na organização da conferência Greem Polymer Chemistry 2014, que terá lugar nos dias 18 a 20 de Março em Colónia, Alemanha.

As fontes renováveis são uma das tendências para as os principais detentores de marcas a nível global, especialmente os que estão na origem da Iniciativa Agricultura Sustentável, que define normas a que os fornecedores deverão aderir. Isto também é válido para os polímeros de origem "bio", com a exigência de o seu desenvolvimento não dever afectar a segurança das provisões alimentares. Como certificar as credenciais verdes? Leia o resto da notícia

Efeitos dos plásticos degradáveis nos fluxos de reciclagem

A EuPC (European Plastics Converters, associação europeia da indústria transformadora de plásticos) publicou os resultados dos testes industriais independentes realizados para avaliar os efeitos dos sacos de plástico degradáveis na qualidade dos reciclados de plástico. Os testes foram efectuados pelo centro de investigação austríaco TCKT (Centro de Transferência para a Tecnologia de Polímeros), por encomenda da EuPC, para responder às preocupações com os efeitos dos plásticos degradáveis na qualidade dos reciclados. Foram analisadas seis misturas diferentes de sacos de plástico degradáveis e um material virgem – PEBD. Durante seis meses de testes, foram processadas mais de 9,45 toneladas de sacos de plástico e mais de 3700 medidas foram efectuadas.

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Bioplásticos. uma alternativa com futuro?

Como complemento e, em algumas áreas, como alternativa aos plásticos convencionais, os bioplásticos são uma etapa lógica e necessária para uma indústria de plásticos moderna e viradaimage para o futuro. Também eles terão o seu lugar na K 2013 que se realiza em Dusseldorf nos dias 16 a 23 de Outubro. A discussão dos prós e contras, do papel futuro e do potencial de mercado dos bioplásticos faz pouco sentido sem uma clarificação do significado do prefixo "bio", explica o Prof. Dr. Eng. Christian Bonten, do Instituto de Engenharia de Plásticos da Universidade de Estugarda, exprimindo as suas reservas

Um prefixo, dois sentidos

Biodegradáveis – Para além de pequenas quantidades de substâncias, os plásticos biodegradáveis são polímeros e aditivos biodegradáveis. Bactérias especiais e as suas enzimas transformam os plásticos biodegradáveis em biomassa, CO2 ou metano, água e minerais, logo que as macromoléculas estejam suficientemente fragmentadas por outros mecanismos de degradação. Para que um plástico possa er designado com o termo "compostável" na Europa, 90% do material deve degradar, em condições claramente definidas, em fragmentos inferiores a 2 mm num espaço de tempo de 12 semanas. Só neste caso é que são efectivamente compostáveis em estações de compostagem operando sem problemas e com eficiência de custos.

Os plástico biodegradáveis não são necessariamente produzidos a partir de recursos renováveis – também pode derivar do petróleo. A biodegradabilidade não depende da matéria-prima, mas da estrutura química do plástico. Exemplos de polímeros biodegradáveis são os poliláctidos ou polímeros de ácido láctico (PLA), os polihidroxialcanoatos (PHA), os derivados da celulose e amido, bem como derivados do petróleo como o polibutileno tereftalato (PBAT) e o polibutileo succinado (PBS). Não biodegradáveis são, por seu turno, o polietileno (PE), o polipropileno (PP), o polietileno tereftalato (PET) e as poliamidas (PA), apenas para referir alguns exemplos.

Plásticos de origem "bio" – Os plásticos de origem "bio" (bio-based) baseiam-se em recursos naturais disponíveis na natureza. No entanto, também não são necessariamene biodegradáveis. A indicação da "origem bio" apenas significa que os átomos de carbono nas cadeias molecuares vêm da natureza actual e por isso se usa o prefixo "bio" Actualmente, os plásticos de origem "bio" derivam de diversos hidrocarbonetos, tais como os que se encontram em produtos naturais como açúcar, amido, proteínas, celulose, lenhina, óleos e gorduras vegetais. Os polímeros de origem "bio" incluem o PLA, o polihidroxibutirato (PHB), os derivados da celulose (CA, CAB), os derivados de amido e também o bio-polietileno (PE). Este último é inteiramente obtido a partir da cana de açúcar do Brasil, tem as mesmas propriedades do PE convencional, mas não é biodegradável. Até certo ponto, também se podem considerar neste grupo dos polímeros de origem bio mas não biodegradáveis os plásticos convencionais reforçados com fibras naturais, como poliamidas e poliuretanos.

O output global

imageOs bioplásticos ainda são uma pequena parte da produção global de cerca de 235 milhões de toneladas de plásticos. Com o mercado em crescimento acelerado, a European Bioplastics prevê que a capacidade de produção mundial de bioplásticos venha a atingir cerca de 5,8 milhões de toneladas em 2016. Um estudo do Instituto Nova, de Março de 2013, prevê que a capacidade de produção de plásticos de origem "bio" chegue aos 8 milhões de toneladas em 2016 e 12 milhões de toneladas em 2020.

Segundo a European Bioplastics, os plásticos biodegradáveis, com cerca de 100 mil toneladas preenchiam a parte de leão da capacidade de produção global de bioplásticos em 2009, mas a  partir de 2010, o crescimento dos biodegradáveis foi ultrapassado pelo dos plásticos de origem "bio". A tendência via continuar, prevê a mesma associação. O crescimento mantêm-se mas os biodegradáveis serão apenas uma sétima parte da capacidade global de produção de bioplásticos em 2016. A maior quota pertencerá aos plásticos de origem "bio" mas não biodegradáveis.

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Mais normas

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A indústria do PVC, os materiais renováveis e a legislação

A indústria de compostos de PVC tem vindo a ser afectada nos anos recentes por mudanças na regulamentação dos produtos químicos, a qual retirou do mercado alguns dos aditivos tradicionais, ao mesmo tempo que é posta ênfase nos aspectos renováveis, designadamente os plastificantes bio, e na reciclagem. As associações ligadas ao PVC estabeleceram compromissos voluntários para antecipar objectivos da legislação e isso colocou esta indústria numa posição de liderança em áreas como a reciclagem. Durante este ano, a Europa vai registar mais mudanças nas formulações, dado que os biocidas normalizados que são utilizados na maior parte das aplicações exteriores, tais como coberturas impermeáveis, terão que ser substituídos por produtos alternativos. Também se discute como ingredientes bio requerem biocidas para evitar a degradação.

A Applied Market Information (AMI) organizou um forum para debater estas mudanças: a 5ª Conferência Internacional ‘PVC Formulation 2013’, que decorre nos dias 12 a 14 de Março em Dusseldorf, Alemanha. A conferência junta a indústria global do PVC para passar em revista os novos aditivos, formulações, tecnologia, legislação e tendências do mercado. A Vinnolit apresentou uma panorâmica do mercado do PVC na Europa, seguida por uma perspectiva, apresentada pelo Sr. Ali Murat Ayar, sobre o mercado do PVC numa economia em crescimento: a da Turquia.

A Deceuninck, fabricante de perfis, colocou em evidência os principais avanços em matéria de actuação responsável em matéria de redução, reutilização e reciclagem. O Dr Ettore Nanni, CEO da Reagens referiu o projecto da empresa em matéria de uso sustentável de aditivos. A União Europeia tem vindo a legislar contra o uso de metais pesados e isto afectou a estabilização do PVC. A indústria teve que abandonar a estabilização eficaz baseada no chumbo e mudar para novos produtos tais como Ca/Zn.  A Baerlocher é uma das empresas que oferece sistemas de estabilização para o sector da construção. Os minerais naturais são úteis não só como cargas, mas também como ingredientes activos, tais como retardantes, como vai demonstrar a Minelco durante a conferência da AMI. Os fosfatos de éster têm efeitos retardantes e propriedades plastificantes e a Lanxess vai referir o potencial de utilização destes aditivos em compostos de PVC, em combinação com trióxido de antimónio, borato de zinco e cargas.

A situação actual do mercado dos plastificantes será apresentada pelo ECPI (European Council for Plasticisers and Intermediates). Há uma tendência crescente na indústria de plásticos para os materiais bio e naturais, especialmente os plastificantes bio. Nos EUA, o ‘Biopreferred programme’ da USDA destaca o "carbono renovável". A América do Sul tem vastas áreas para o desenvolvimento do cultivo e poderá tomar a liderança do fornecimento de bio-plastificantes. A Varteco Quimica Iberica, da Argentina vai apresentar uma panorâmica sobre este mercado, enquanto a PETROM – Petroquimica Mogi Das Cruzes, do Brasil, em parceria com a Proviron Functional Chemicals, vai apresentar novos plastificantes. A Hallstar também desenvolveu produtos naturais para este mercado. No entanto, há que dar resposta às dúvidas sobre os efeitos desta substituição nas formulações dos compostos de PVC. Serão estes materiais tão biodegradáveis que necessitem de microbiocidas para preservar o vinilo?

A Directiva Biocidas da UE vai afectar um ingrediente comum nesta indústria: os antimicrobianos OBPA largamente usados em aplicações exteriores vão ser banidos. A Akros Chemicals passará e revista as mudanças e as formulações alternativas, e alguns dos dados provisórios sobre as necessidades potenciais de biocidas resultantes do uso de materiais bio. A Sanitized, da Suiça, estudou a protecção antimicrobiana do PVC com plastificantes bio.

O PVC é largamente usado em embalagem alimentar, designadamente em filmes. A Polycomply Hoechst, empresa produtora e prestadora de serviços, vai fazer uma apresentação das normas actuais. A apresentação será completada com a perspectiva de um fabricante, a James Halstead/Polyflor.

Vários factores afectam a produção de compostos de PVC: a Chemsom vem examinar o efeito e a regulação da humidade. A Dow vai analisar os tópicos da estabilidade térmica e da resistência ao impacto. A Kaneka Belgium ocupar-se-á da possibilidade de produzir mais espumas com menos aditivos. A BASF vai apresentar aditivos de processamento baseados em ceras de PE. Também o tema da coloração do PVC está no programa da conferência, com a apresentação da Holland Colours.

Quais são os aditivo alternativos para a formulação de compostos de PVC? Quais os requisitos para os utilizadores finais? Há melhorias no processamento de PVC? Quais são as tendências do mercado? É realista incorporar reciclados? Estas são questões em aberto na conferência PVC Formulation 2013 conference.

PLA mais resistente à temperatura

As indústrias de embalagem têm vindo a recorrer mais a biopolímeros baseados em polímeros de ácido láctico (PLA) como alternativa aos plásticos baseados no petróleo. O PLA é obtido a partir do amido de milho e é completamente biodegradável. No entanto, e até muito recentemente, o PLA tinha a limitação de perder a rigidez a partir dos 60 °C, o que afastava as aplicações que envolvem temperaturas superiores. Os investigadores do Instituto Fraunhofer de Pesquisas Aplicadas de Polímeros (IAP), de Potsdam (Alemanha), encontraram uma forma de aumentar a resistência térmica deste bioplástico. Uma das aplicações mais interessantes é na indústria de embalagem alimentar: o enchimento de copos de iogurte a temperaturas mais elevadas. Os copos fabricados em "stereo-complexos" de PLA mantêm a forma e permanecem estáveis mesmo a temperaturas até aos 120 °C. O Dr. Johannes Ganster, director de divisão do IAP, explica o princípio: "para tornar os plásticos de PLA mais estáveis a temperaturas mais elevadas, introduzimos stereo-complexos com componentes especiais de L-lactida e D-lactida. Estas moléculas rotativas nas direcções esquerda e direita complementam-se entre si para tornar a liga mais estável".
Várias empresas já mostraram interesse, considerando o potencial. A produção de biopolímeros de PLA é independente da escassez progressiva do petróleo. Além disso, o novo material é compostável e também pode ser reciclado por decomposição em ácido láctico. A grande vantagem está no facto de poder ser são durável como qualquer plástico baseado no petróleo, e pode ser usado para muitos outros produtos, como filmes de protecção, caixas de computadores e sacos de compras. O IAP está actualmente a trabalhar com um fabricante alemão interessado em utilizar este novo material.